São Guilherme de Vercelli, padroeiro da Irpínia

Santo do Dia – 25 de Junho

São Guilherme,

Padroeiro da Irpínia · † 1142

Adolescente decidido

São Guilherme de Vercelli

Às vezes, 14 anos são suficientes para escolher a vida que se quer viver, renunciando àquela que se tem. Assim foi Guilherme, um adolescente de Vercelli, no norte da Itália.

Com 14 anos, fez uma coisa semelhante àquela que Francisco faria em Assis, mais de cem anos depois. Deixou a vida de opulenta riqueza da sua família, renunciou ao título nobiliário, vestiu uma túnica rude e partiu descalço e sozinho. Sua determinação juvenil revelava uma vocação profunda à vida espiritual e ao serviço de Deus.

Uma experiência de peregrinação

Guilherme tinha os pés torturados de tanto andar. Seu destino era Santiago de Compostela e, depois, um dia, a Terra Santa. Compostela torna-se uma etapa obrigatória de peregrinação para o homem do primeiro milênio. Por volta do ano 1099, Guilherme partiu para o Santuário espanhol: fez cinco anos de caminhada, de pão e água, de cilício, dormindo no chão, de colóquio íntimo com Deus e de ardente anúncio do Evangelho ao longo do caminho.

A outra etapa de qualquer peregrinação, na época, era a Terra de Jesus. Então, Guilherme voltou para a Itália com o objetivo de partir para Jerusalém. Porém, o homem que planeja se defronta com as surpresas de Deus.

O jovem encaminhou-se para o sul da Itália em busca de um navio. Mas, nas proximidades de Brindes, foi agredido por alguns ladrões. Naquele pobre peregrino nada havia para roubar; decepcionados, a agressão se transformou em violência. Guilherme foi espancado e obrigado a interromper sua viagem.

 

Vida Eremítica

Ao recuperar suas forças, encontrou-se com João de Matera, o futuro santo, que havia conhecido antes, que lhe disse, com decisão, que, por detrás da agressão sofrida, poderia estar oculto um sinal maior: dedicar a sua missão de apóstolo na Itália. Guilherme refletiu e se convenceu.

Em 1118, volta novamente para Irpínia, aos pés do Montevergine, que o escalou até encontrar uma pequena bacia, onde se deteve. Ali, o peregrino se tornou eremita. O eremita pensava ser feito para a solidão, mas a solidão não era feita para ele: sua fama de homem de Deus se espalhou rápido como o vento gelado que penetrava nos bosques do Monte Partênio. Dezenas de pessoas chegavam ao lugar onde se encontrava a cela do monge Guilherme.

Abade de Montevergine

Assim, o eremita torna-se abade. Foram poucas as regras escritas, ditadas e mostradas com seu exemplo: penitência rigorosa, oração e prática da caridade com os pobres. Este foi o broto da sua congregação dedicada a Maria, oficialmente reconhecida em 1126. No entanto, os pés do eremita queimavam.

A Mística do Peregrino

Certo dia, o Santo peregrino confiou a um discípulo a recém-nascida Abadia de Montevergine e retomou sua estrada, indo de Irpínia a Sânio, da Lucânia à Apúlia e Sicília. Os príncipes normandos e as pessoas paupérrimas que o encontravam permaneciam fascinados. Notou-se aí uma verdadeira espiritualidade peregrina, daquele que se encontrou com Jesus através dessas experiências de viajante, recordando que todos nós somos passageiros neste mundo.

A abadia de Montevergine prosperou graças às contínuas doações conspícuas. Entre os amigos reinantes, mas, sobretudo, sinceros de Guilherme, destaca-se Rogério II, um rei normando. Foi ele quem visitou, pela última vez, o peregrino, que se tornou eremita e abade, debilitado e quase sem força.

Em 1142, São Guilherme entregou seu espírito em um de seus mosteiros da Irpínia, em Goleto. 800 anos depois da sua morte, em 1942, Pio XII o proclamou Padroeiro principal da Irpínia.

Guilherme — Significa “aquele que deseja proteger” ou “vontade firme de protetor”. Tem origem no germânico, formado pelos elementos “wil” (vontade, desejo) e “helm” (proteção, capacete). Este nome reflete o caráter protetor e decidido do santo.

“Oração – Vosso anseio de peregrino demonstra que tudo nessa vida é passageiro, por isso, ensina-nos a viver em desapego e disposição para as coisas do alto. Mostra-nos o caminho correto para o céu e guia-nos nessa estrada desafiante da vida. Amém.”

São Guilherme, rogai por nós!

São João de Matera — Santo que encontrou Guilherme durante sua peregrinação e o guiou para sua missão de apóstolo na Itália, reconhecendo no sinal da agressão uma vocação maior.

Outros beatos e santos que a Igreja faz memória em 25 de junho:

1

São Máximo
Em Turim, na Ligúria, região da Itália. Primeiro bispo desta cidade, que chamou com linguagem paterna multidões de pagãos à fé de Cristo e com a sua doutrina celeste as conduziu ao prêmio da salvação.

† 408-423

2

São Próspero de Aquitânia
Bem formado em filosofia e arte literária, após vida matrimonial íntegra e honesta, fez-se monge em Marselha. Defendeu vigorosamente a doutrina de Santo Agostinho contra os Pelagianos sobre a graça de Deus e exerceu a função de secretário do papa São Leão Magno em Roma.

† c. 463

3

São Próspero de Réggio Emília
Em Réggio Emília, cidade da Emília-Romanha, região da Itália. Bispo.

† s. V/VI

4

Santa Tígrides
Em Maurienne, na Saboia, França. Virgem, que neste lugar promoveu com grande fervor o culto de São João, o Precursor.

† s. VI

5

São Moloc ou Luano
Em Rosemarkie, na Escócia. Bispo.

† c. 592

6

Santa Eurósia ou Orósia
Em Jaca, na Hispânia Tarraconense. Virgem e mártir.

† c. 714

7

Santo Adalberto
Em Egmond, na Frísia, atualmente na Holanda. Diácono e abade, que auxiliou Santo Vilibrordo na obra da evangelização.

† s. VIII in.

8

São Salomão
Na Bretanha Menor, hoje na França. Mártir, que durante o tempo em que foi rei, favoreceu a instituição de sedes episcopais e protegeu os mosteiros, mas foi deposto da realeza e assassinado quando estava numa igreja.

† 874

9

São João de Espanha
Na Cartuxa de Le Reposoir, na Saboia, na hodierna França. Monge, que escreveu os estatutos das monjas da Ordem Cartusiana.

† 1160

10

Beata Doroteia de Montau
Em Marienwerder, na Prússia, hoje Kwidzyn, na Polônia. Depois de ficar viúva, passou o resto da sua vida como reclusa numa cela junto à igreja catedral, dedicando-se assiduamente à oração e à penitência.

† 1394

11

Beata Maria Lhuillier
Em Laval, na França. Virgem e mártir, das Hospitaleiras da Misericórdia, que durante a Revolução Francesa, ardentemente fiel à Igreja nos votos religiosos, morreu decapitada.

† 1794

12

Santos Domingos Henares e Francisco Do Minh Chieu
Em Nam Dinh, cidade do Tonquim, no atual Vietnam. Domingos Henares, bispo da Ordem dos Pregadores, trabalhou na propagação da fé cristã durante quarenta e nove anos e Francisco Do Minh Chieu colaborou valorosamente como catequista; no tempo do imperador Minh Mang, ambos foram decapitados por amor de Cristo.

† 1838

Martirológio — Secretariado Nacional de Liturgia · PT