Nossa Senhora do Carmo, Virgem do Escapulário

Santo do Dia – 16 de Julho

Nossa Senhora do Carmo,

Virgem do Escapulário · † s. XIII

Os Primeiros Monges

Nossa Senhora do Carmo

Os primeiros carmelitas, em fins do século XII depois de Cristo (mais de dois mil anos depois da vida do profeta Elias), decidiram formar uma comunidade no Monte Carmelo. O Monte Carmelo é conhecidíssimo pela sua beleza, o nome significa “jardim”.

Os primeiros monges eram cavaleiros cruzados, que cansados da violência e injustiça daquelas guerras para conquistar a Terra Santa das mãos dos mouros, ali se refugiaram, sedentos de uma vida mais autenticamente evangélica. Atraídos ao Monte Carmelo pela fama e tradição do profeta Elias, ali fundaram uma capela e em torno dela construíram seus quartos ou “celas”. Isto foi por volta de 1155.

Dedicaram-se a uma vida de penitência e reparação pelos abusos dos cruzados; exercitaram-se na prática da oração e união com Deus e a trabalhos manuais. Escolheram Elias como Pai Espiritual e exemplo de vida monástica de oração e testemunho profético em meio a um mundo dominado pelas injustiças.

Consagrados a Maria

Dedicaram uma capelinha à Virgem Maria e, sob sua proteção, imitavam suas virtudes. Chamaram Maria de “Senhora” do lugar, segundo os costumes feudais, e renderam a ela serviço de dedicada doação dos primeiros carmelitas. Os peregrinos e cruzados que os visitaram começaram a chamá-los Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.

 

O Reconhecimento

Mais ou menos no ano de 1209, os irmãos decidiram formalizar a sua vida, pedindo uma Regra de vida ao bispo Alberto, patriarca de Jerusalém. Ele lhes escreveu uma regra muito simples. Com o tempo, quando já na Europa, viajaram a Roma para apresentar ao Papa o pedido de aprovação da nova Ordem.

No ano de 1226, o Papa Honório III concedeu a aprovação à Ordem. Com esta aprovação, os irmãos viveram com o ideal de se unirem continuamente ao Senhor, a toda e em cada obra, a exemplo de Elias, seu Pai Espiritual, e de sua Mãe e protetora, a Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe do Carmelo.

Divisão e Perseguição

No ano de 1235, os mouros fizeram uma perseguição contra os cristãos, e por isso os carmelitas dividiram-se em dois grupos: um que permaneceu no Monte Carmelo – os monges foram massacrados e o mosteiro incendiado; o segundo grupo refugiou-se na Sicília, Creta, Itália e, finalmente, na Inglaterra, no ano de 1238.

São Simão e o Escapulário

Na Inglaterra, os irmãos fundaram um mosteiro em Aylesford e iniciaram um novo tempo. Lá, viveram por parte de um grupo a rejeição da Ordem. Imitando o exemplo dos primeiros Irmãos, o Prior Geral dos Carmelitas, São Simão Stock, recorreu à oração.

Diz a tradição: na noite do dia 16 de julho de 1251, Simão dirigiu-se à Virgem Maria e pediu-lhe o “privilégio feudal”, a proteção da “Senhora” sobre seus vassalos em tempos de perseguição e dificuldades. Neste momento, rezou esta famosa oração: “Flor do Carmelo, vide florida. Esplendor do Céu. Virgem Mãe incomparável. Doce Mãe, mas sempre Virgem, sede propícia aos carmelitas, ó Estrela do Mar”. Logo, apareceu-lhe a própria Virgem Maria rodeada de anjos. Entregou-lhe o Escapulário que tinha em suas mãos e disse-lhe:

“Recebe, meu filho muito amado, este Escapulário de tua Ordem, sinal de meu amor, privilégio para ti e para todos os carmelitas: quem com ele morrer, não se perderá. Eis aqui um sinal da minha aliança, salvação nos perigos, aliança de paz e de amor eterno.”

Depois disso, Simão chamou todos os frades e explicou o que havia acontecido. Acrescentaram o Escapulário ao hábito e começaram a cantar esta maravilhosa aventura da Virgem Maria para ajudar os carmelitas. Depois, adaptou-se o Escapulário grande a uma forma menor para o povo, e muitos começaram a usá-lo, como sinal de amor à Virgem Maria e símbolo de vida cristã fixa em Deus.

Pedido em Fátima

No dia 13 de outubro de 1917, na última de suas aparições na Cova da Iria, em Fátima, a Virgem Maria uniu três devoções marianas: a espiritualidade do Escapulário; a oração do Santo Rosário; e a consagração ao seu Imaculado Coração. Logo depois da aparição, os três pastorinhos de Fátima tiveram visões. Na primeira delas, ao lado de São José, apareceu Nossa Senhora do Rosário, com o Menino Jesus ao colo. Em seguida, surgiu como Nossa Senhora das Dores, junto com seu Filho, o Homem das Dores, que passava por grandes sofrimentos.

Na terceira e última visão, gloriosa, coroada como Rainha do Céu e da Terra, a Santíssima Virgem apareceu como Nossa Senhora do Carmo, tendo o Escapulário à mão. No ano de 1950, perguntaram à Irmã Lúcia o motivo de Nossa Senhora do Carmo aparecer com o Escapulário nas mãos. Em resposta, ela disse: “É que Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário”. Pouco tempo depois, no dia 11 de fevereiro de 1950, o Papa Pio XII convidou toda a Igreja a colocar o escapulário em primeiro lugar entre as devoções marianas, entendido como veste mariana e símbolo da proteção da Mãe celeste.

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!

Carmelo — Do hebraico Karmel, significa “jardim de Deus” ou “jardim fértil”. É o nome do monte na Terra Santa onde os primeiros cavaleiros cruzados se estabeleceram em torno de 1155, inspirados pela tradição do profeta Elias, dando origem à Ordem dos Carmelitas.

“Ó Virgem do Carmo, Virgem do Escapulário, livrai-nos de todo mal, de toda a doença maligna e das perseguições do inimigo. Assim como ajudai-nos a viver intimamente unidos a ti e ao teu filho Jesus. Amém.”

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!

Beato Bartolomeu dos Mártires — Bispo de Braga, sepultado no mosteiro da Santa Cruz, em Viana do Castelo, Portugal.

Outros beatos e santos que a Igreja faz memória em 16 de julho:

1

Santo Antíoco
Mártir. Em Anastasiópolis, na Galácia, na hodierna Turquia. Irmão de São Platão.

† s. III-IV

2

Santo Atenógenes
Corepíscopo e mártir. Em Sebaste, na antiga Armênia, hoje Sivas, na Turquia.

† c. 305

3

Santo Helério
Eremita. Em Jersey, ilha do Mar do Norte. Segundo a tradição, sofreu o martírio.

† s. VI

4

Santos Monulfo e Gondulfo
Bispos. Em Maastricht, no Brabante, região da Austrásia, atualmente na Holanda.

† s. VI/VII

5

Santos Reinilde, Grimoaldo e Gondulfo
Mártires. Em Saintes, no Hainaut, na atual França. Segundo a tradição, sofreram o martírio.

† c. 680

6

São Sisenando
Diácono e mártir. Em Córdova, na Andaluzia, região da Espanha.

† 851

7

Beata Irmengarda
Abadessa. No mosteiro de Chiemsee, na Baviera, região da atual Alemanha.

† 866

8

Beato Simão da Costa
Religioso da Companhia de Jesus. O último dos mártires da nau «São Tiago».

† 1570

9

Beato Bartolomeu dos Mártires
Bispo de Braga. Em Viana do Castelo, no mosteiro da Santa Cruz, Portugal.

† 1590

10

Beatos João Sugar e Roberto Grissold
Presbítero e mártir. Em Warwick, na Inglaterra.

† 1604

11

Beatos André de Soveral e Domingos Carvalho
Presbítero da Companhia de Jesus e mártir. Em Cunhaú, cidade próxima de Natal, no Brasil.

† 1645

12

Beatos Nicolau Savouret e Cláudio Béguignot
Mártires. Num barco-prisão ancorado ao largo de Rochefort, na França.

† 1794

13

Beata Amada de Jesus e companheiras
Virgens e mártires. Em Orange, na França.

† 1794

14

Santa Maria Madalena Postel
Virgem, fundadora da Congregação das Filhas da Misericórdia. No território de Saint-Sauveur-le-Vicomte, na Normandia, França.

† 1846

15

Santos Lang Yangzhi e Paulo Lang Fu
Catecúmena e mártir, mãe e filho. Em Lujiapo, localidade próxima de Qinghe, no Hebei, China.

† 1900

16

Santa Teresa Zhang Hezhi
Mártir. Em Zhangjiaji, localidade próxima de Ningjin, no Hebei, China.

† 1900

Martirológio — Secretariado Nacional de Liturgia · PT